Superendividamento amplia ofertas de consultorias que revisam dívidas

Em plena crise econômica muitas pessoas estão enfrentando uma situação conhecida como superendividamento, o que termina na prática atingindo diretamente o orçamento doméstico. São famílias que devem parcelas do consignado ao salário, do cartão de crédito, passando pelo financiamento do carro e da casa e, o pior, costumeiramente são alvos da cobrança de juros abusivos – o que torna a dívida uma verdadeira bola de neve. Percentual de famílias endividadas sobe pelo 5º mês seguido e chega a 63,4%, segundo o último levantamento da Confederação Nacional do Comércio (CNC). Este é o maior nível negativo desde setembro de 2015. Já a proporção de famílias com contas ou dívidas em atraso subiu para 24,1% em maio.

Segundo Leandro Bustamante, da consultoria Revisa Vale (SP), muito disso se dá pela cobrança de juros acima do mercado e tarifas indevidas, pois essa é uma prática que chega a ser bem comum, só que totalmente abusiva, pois quase sempre as taxas estão em desacordo com o que foi acordado na hora da contratação e ao que ensina o Código de Defesa do Consumidor. “As pessoas estão devendo, é fato. E, na maioria dos casos, o devedor quer pagar, porém está desesperado e costuma nem perceber que se tornou um refém do sistema financeiro, que lucra indiscriminadamente. Quem tem a dívida vai pegando uma parcela para pagar a outra e criando uma bola de neve, sem perceber que os juros abusivos estão ali presentes e corroendo todo o orçamento familiar”, afirmou.

A orientação para quem se sentir atingido por desse tipo de cobrança é primeiro tentar negociar com o fornecedor. Só que na maioria das vezes os acordos não são frutíferos, nem apresentam resultados, pois as parcelas são diluídas em um número maior de vezes com ainda mais juros, o que apenas faz postergar o pagamento da dívida. “Estamos em um período difícil na economia e por isso as pessoas precisam conhecer estratégias efetivas que permitem a renegociação das dívidas, inclusive, com acordos e decisões que podem alcançar descontos que chegam até a 70% do que é cobrado em juros. Conheço pessoas que sequer receberam a cópia do contrato do empréstimo tomado. Só conhecem as parcelas. Isso está totalmente errado”, explicou Bustamante.

A consultora Carol Bonner, da Revisa Nordeste, empresa especializada em analisar dívidas em Alagoas, explicou que a prática de revisão referentes aos empréstimos e financiamentos possibilita a identificação da existência de abusos cometidos por parte dos bancos e financeiras. “Ao confrontar números, taxas de juros, e ler detalhadamente aquelas letrinhas minúsculas nas cláusulas contratuais a gente vai percebendo que foram incluídas taxas fora da realidade do mercado. É isso que o consumidor precisa perceber, que não deve pagar juros acima da média”, disse. “Costumeiramente, o atendimento é feito de forma gratuita nas empresas que lideram o ramo de revisão contratual”, acrescentou.

Fonte: Ascom

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