5 de agosto de 2022

Há 3 anos o Clube do Livro cria conexões e amplia olhares

Clube do livro celebrou aniversário com a obra A visão das plantas, de Djaimilia de Almeida.

Clube do livro celebrou aniversário com a obra A visão das plantas, de Djaimilia de Almeida. Foto: Carolina Amancio

Nos últimos três anos, mais de 30 obras literárias, escritas por homens e mulheres de diversas origens geográficas e culturais, passaram pelos debates dos membros do Clube do Livro: Direito e Literatura. Reunidos em círculo na casa oficial do grupo, o Café Literário da Escola Superior da Magistratura (Esmal), os membros celebraram, em julho, o sucesso dos encontros com as histórias e, especialmente, uns com os outros.

“Somos um grupo heterogêneo que provavelmente não se encontraria se não fosse pelo nosso trabalho no Judiciário. Essa multiplicidade de perspectivas é a nossa maior riqueza, pois saímos de cada encontro com os olhares ampliados pelas lentes do outro”, afirma Mirian Alves, diretora da Biblioteca Geral do Poder Judiciário e uma das idealizadoras do Clube.

A paixão por livros de Mirian e de Gustavo Tenório, também servidor do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL), foi apenas o primeiro capítulo dessa história, que nasceu como um clube de leitores, mas que se tornou espaço de acolhimento e de conexões.

Servidores do TJAL Mirian Alves e Gustavo Tenório são idealizadores do Clube do Livro Direito e Literatura, que faz parte do projeto Justiça que Lê.

“Fazer leituras em conjunto enriquece a nossa percepção, a nossa sensibilidade em relação ao mundo, ao ser humano, à sociedade, e isso é essencial para nós, que lidamos com a Justiça diariamente. Além disso, conseguimos criar vínculos afetivos por meio dos livros, porque além de colegas de trabalho, agora nos tornamos amigos”, resume Gustavo, que havia acabado de tomar posse no TJAL quando iniciou, junto com Mirian, a parceria para a implementação do Clube.

Para escolher as obras que serão analisadas a cada ciclo de seis meses, os servidores Mirian e Gustavo colhem sugestões dos próprios membros e aplicam os princípios da bibliodiversidade. A intenção é que narrativas não hegemônicas sejam acessadas, de modo que os participantes entrem em contato com enredos escritos por homens, mulheres, negros, indígenas, brasileiros, estrangeiros de diversas nacionalidades, bem como livros clássicos e contemporâneos.

Livros: suportes para desenvolvimento humano

Quase como um bônus após as reflexões sobre grandes obras da literatura mundial e seus pontos de convergência com a rotina no Judiciário, os participantes do Clube relatam como a participação nessa comunidade de leitores repercute também em suas vidas privadas.

Integrante do Clube desde o primeiro momento, em 2019, Ana Paula Gomes, assessora do 5º Juizado Especial Cível da Capital, compreende que a atuação no grupo a modificou como pessoa.

“O Clube me faz uma pessoa melhor. Cheguei com tantas falhas, julgamentos, hoje enxergo o quanto mudei, reconheço o quanto precisava mudar, tenho consciência de que posso ser ainda melhor. Compartilhamos sonhos, esperanças, cuidamos uns dos outros”, elogia.

Aberto para juízes, servidores e estagiários do TJAL, o Clube do Livro recebe novos membros a cada ciclo de seis obras lidas. Há ainda vagas rotativas, que podem ser preenchidas por pessoas, de dentro ou de fora do Judiciário, que tenham interesse em participar de um encontro específico.  A quantidade de membros, no entanto, é limitada, para que os diálogos sobre as obras fluam bem e todos tenham a oportunidade de se expressar.

Para saber mais sobre as formas de participação no Clube, envie e-mail para bibliotecageralesmal@gmail.com ou acesse o site do Clube, clicando neste link.

Um dos juízes entusiastas do grupo é Phillippe Alcântara, da comarca de Capela, que frequenta as reuniões há dois anos.  Para ele, a curadoria das obras preza pela qualidade e pela conexão dos temas com os desafios da sociedade.

“Os encontros nos permitem fazer um aprofundamento nas questões humanas, num exercício de empatia que, invariavelmente, conduz a uma melhora no próprio exercício da função jurisdicional”, garante o magistrado.

Sobre o Clube 

Criado em julho de 2019, o Clube do Livro tem como objetivo fomentar o debate e a reflexão sobre questões que envolvem a sociedade e o Direito, tendo como base a leitura e discussão de obras literárias.

A ação faz parte do projeto ‘Justiça que Lê’, cujo propósito é ajudar a criar uma cultura de leitura entre os membros do Judiciário, transformando-o em uma grande comunidade de leitores

O Clube é organizado por ciclos de leituras que duram seis meses. Durante cada ciclo, os participantes leem uma obra por mês e, posteriormente, fazem a reunião de partilha e debate. O próximo livro a ser trabalhado pelo Clube, no dia 5 de setembro, é  Desonra, do escritor sul-africano ganhador do Nobel de literatura, J.M Coetzee.

Carolina Amancio – Esmal TJAL

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