14 de outubro de 2020

Visão das Grotas: jovens revelam como projeto intensificou relação com comunidade

Nesta quinta-feira (15), o grupo de nove jovens participará da quarta e última Oficina de Comunicação Popular do projeto

O Governo de Alagoas está mais uma vez orgulhoso de sua gente, desta vez representada por uma turma de nove jovens moradores(as) das grotas de Maceió. Durante uma rodada de lives exibidas nos últimos dias 08, 09 e 12 de outubro pelo perfil @visaodasgrotas no Instagram, a garotada não apenas falou com desenvoltura sobre arte, cultura e lazer “nas quebradas”, como também relatou de que forma a participação no projeto realizado em parceria com o ONU-Habitat e o Governo de Alagoas intensificou a relação com as comunidades onde vivem.

“Todos(as) os(as) participantes ficaram animados(as) em idealizar e conduzir esses encontros de acordo com a disponibilidade e temas de interesse de cada grupo”, explicou Paula Zacarias, Analista de Programas do escritório ONU-Habitat em Alagoas. “Nós ficamos muito satisfeitos de eles terem ocupado o perfil do projeto no Instagram com suas falas, pautas e debates, de forma livre e dinâmica, complementando o que eles(as) devem produzir após as Oficinas de Comunicação Popular, que possuem roteiro e objetivos específicos para cada fase do projeto”, complementou.

A experiência inédita na vida de cada integrante fez, por exemplo, a estudante Ewellyn Lourenço, 19, enxergar possibilidades que não imaginava, como a realização de uma produção audiovisual por mulheres jovens, negras e moradoras de periferias. Neste componente do projeto, o grupo de nove jovens tem a missão de captar imagens e entrevistas de moradores(as) das grotas com o objetivo de produzir um documentário sobre a pandemia e o contexto social e econômico dos assentamentos informais situados na capital.

“Ver pessoas da periferia fazendo esse trabalho é algo que me deixa muito representada. São mulheres falando sobre seus gostos, sua cultura e seu local”, comentou Ewellyn, moradora da grota Santa Helena, no bairro de Chã da Jaqueira, durante a live de abertura intitulada “Ela me Representa: Mulheres no Audiovisual”.

A jovem Agnes Vitória, 21, residente da grota do Rafael, no bairro do Jacintinho, acrescentou na sequência: “As mulheres que atuam nessa área não têm visibilidade a ponto de serem enxergadas por um público maior. Nós mulheres precisamos ser representadas. E só iremos nos sentir representadas a partir do momento em que ocuparmos determinados espaços”, formulou.

Num processo revelador e potente, que tanto altera a percepção da realidade ao redor quanto promove maior engajamento nas questões pertinentes às comunidades, a jovem confirmou o impacto transformador da iniciativa. “Eu sou outra pessoa depois que eu comecei o projeto, que me abriu os olhos para muita coisa. Mudou a minha visão de ver o mundo, como compositora e como poeta”, confidenciou, antes de encerrar a participação com uma poesia cantada de sua autoria.

O projeto do ONU-Habitat com o Governo de Alagoas também oferece a oportunidade de os próprios participantes contribuírem como agentes de transformação do entorno em que habitam. “A gente sempre foi colocada nos espaços como objeto e agora está sendo como protagonista. Isso é algo potente”, enalteceu Mary Alves, 25, moradora da grota do Ary, durante a segunda live cujo tema foi “Cultura como Forma de Contribuição Social”.

Sobre a experiência que demanda mais interação com a comunidade, Mary destacou a relação com as crianças durante a realização das entrevistas. “Eu queria entender como as crianças estavam compreendendo a pandemia. E elas estavam entendendo o que estava acontecendo. Elas não podiam me ver na rua que começavam a perguntar: ‘Tia, você vai filmar hoje?’”. Mary passou a ser a “cineasta da quebrada”, como apontou a tutora Eloysa Lopes, que fez a mediação da live.

Próximos passos

A série de lives, idealizadas e conduzidas pelo grupo de tutores(as) e jovens do projeto Visão das Grotas (@visaodasgrotas), faz parte do desafio da Fase 3 – “Minha Grota é massa” –, que tem como objetivo identificar as potencialidades urbanas das grotas e vocações sociais e econômicas dos(as) moradores(as).

Na próxima quinta-feira (15), o grupo de nove jovens participará da quarta e última Oficina de Comunicação Popular do projeto. Depois disso, eles(as) terão mais uma semana para registrar novas imagens e entrevistas com moradores(as) das grotas. Na sequência, como encerramento do projeto acontecerá um encontro virtual com jovens de comunidades do Rio de Janeiro e cidades da África lusófona – países que têm o Português como idioma.

A parceria do Governo de Alagoas com o ONU-Habitat começou em 2017 e, desde então, diversos projetos foram e vêm sendo desenvolvidos nas comunidades mais vulnerabilizadas de Maceió. O programa Vida Nova nas Grotas, por exemplo, já promoveu e continua proporcionando uma verdadeira revolução urbanística em dezenas de assentamentos informais na capital.

Agência Alagoas

 

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