14 de junho de 2020

Projeto Judô na Guarda Municipal tem continuidade de forma remota

Aulas online ao vivo são realizadas três vezes por semana. Foto: arquivo pessoal

É difícil imaginar um esporte que exige contato físico, como o judô, estar sendo praticado durante o isolamento social devido à pandemia de Covid-19. Mas, os guardas municipais, que também são professores do Cândido Clube de Judô, projeto realizado na Guarda Municipal de Maceió, conseguiram encontrar uma forma de dar continuidade aos treinos.

Criado há 10 anos pelo guarda municipal Irã Cândido, o projeto social tem desempenhado importante papel na vida dos cerca de 140 alunos e seus familiares. Seu principal foco é levar noções de cidadania e oferecer oportunidades para os jovens e crianças participantes. As aulas são gratuitas e, antes do período de isolamento, eram realizadas na sede da Guarda, no Vergel, e no Clube da Caixa Econômica Federal (APCEF), em Garça Torta.

Os atletas têm participado de várias competições dentro e fora de Alagoas, como o Festival Alagoano de Judô, Campeonato Alagoano de Judô, Copa Módulo de Judô e Campeonato Norte-Nordeste de Judô. Além disso, alguns deles participaram da Seletiva para o Campeonato Mundial Escolar, em Brasília, Distrito Federal.

Neste momento atípico de isolamento social, os senseis fizeram uma adaptação das aulas para que os alunos não ficassem ociosos. Os atletas do projeto participam das aulas remotas nas segunda, quartas e sextas, a partir das 18h. Eles treinam durante a aula, que é ministrada ao vivo, recebem instruções na hora e também demandas para realizar em outro horário, com o objetivo de intensificar os treinos e conseguir melhores resultados. Geralmente são exercícios como agachamentos, flexões, abdominais e polichinelos.

No primeiro momento, foi reforçado o conhecimento teórico sobre o esporte, utilizando materiais didáticos, como vídeos educativos, vídeos motivacionais, filmes, desafios, indicação de exercícios e aulas online, além do trabalho voltado à cidadania, especialmente quanto aos cuidados preventivos contra a Covid-19. Na segunda etapa, os instrutores elaboraram um plano de exercícios físicos e treinamentos de forma remota, evitando, assim, que os alunos tivessem algum prejuízo em sua condição física e até mental.

O fundador do Projeto, Irã Cândido Teles da Silva, Faixa Preta Sexto DAN de Judô, falou sobre as mudanças. “Passamos a enviar exercícios de forma virtual e vimos que uma boa parte dos judocas tem irmãos, pai ou mãe que treinam, o que facilitou a adaptação para desenvolver os treinamentos. Mas, alguns estão sem participar, seja por falta de equipamentos, de interação ou mesmo não possuírem internet. Então dos 140 judocas, 102 seguem fielmente nossos treinos remotos”, explicou.

Helena Teodósio tem 20 anos, é faixa verde da academia e pensava que os treinos de judô seriam prejudicados, por ser um esporte de constante contato físico. “Os treinos presenciais envolvem proximidade com o adversário no tatame, inclusive, seguramos muito o kimono uns dos outros. Mas, nas adversidades podemos encontrar oportunidades e – por meio dos treinamentos virtuais – tive uma percepção diferente das coisas e descobri que treinar sozinha também é possível”, contou.

Gabriel Lins, de 17 anos, é apaixonado pelo esporte e está no projeto desde 2010. Ele ressaltou que o isolamento prejudicou todos os esportes, pois em sua maioria são realizados em dupla ou grupo e destacou a importância do Projeto ter continuado neste momento. “ Em casa eu consigo correr, fazer flexões, abdominais e outros exercícios. Antes do isolamento, eu já estava pronto participar de outra seletiva, mas, infelizmente, não vai poder ser realizada agora. Continuar me movimentando e tendo os treinos de forma virtual está me ajudando bastante”, afirmou.

A diarista Deusirene Ferreira é faixa verde da academia e há seis anos é praticante assídua do Judô na Guarda. “Aqui em casa sou eu, meu filho e minha filha e não trocamos o judô por nada. Devido ao isolamento, não podemos estar juntos dos outros judocas, mas tirando isso conseguimos treinar em família e adaptar algumas coisas como: utilização da parede, porta, cadeira, enfim, qualquer ferramenta que dê para utilizar e seguir com os exercícios e treinos”, disse.

O sensei fundador do Projeto incentiva os atletas. “Nesse período ímpar para a sociedade, não poderíamos deixar nossos alunos ociosos. Nossa estratégia foi deixá-los informados e levar opções para que não se afastassem do Judô. Fizemos um trabalho de conscientização sobre os cuidados e perigos dessa pandemia. Seguimos unidos, mesmo que online e, assim que for seguro, retornaremos às atividades presenciais”, concluiu Irã Cândido.

Cristina Brito e Thamires Martins/ Ascom Semscs

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