14 de março de 2016

Projetos selecionados refletem preocupação social e ambiental dos alunos

A longa espera de pacientes na fila de transplantes em Palmeira dos Índios e o baixo número de pessoas que se declaravam doadoras levaram os estudantes Romário Henrique e Valéria Santana, ambos da 3ª série do Ensino Médio da Escola Humberto Mendes, a desenvolver um trabalho de conscientização sobre o tema. Sob a orientação da professora de Biologia Georgia Emery, eles pesquisaram sobre o assunto, levantaram dados da região e foram às ruas para esclarecer a população acerca da importância da doação de órgãos. “Uma amiga de minha família faleceu porque não conseguiu um transplante. Isso me marcou muito e me motivou ainda mais para a pesquisa”, recordou Valéria. Já Romário contou que, a partir dos questionários aplicados, percebeu a existência de preconceitos e tabus sobre o tema “Identificamos que 63% das pessoas não sabiam diferenciar a morte encefálica do coma e que muitas ainda viam a doação de órgãos como uma agressão ao corpo do ente querido. Trabalhamos justamente mudar essa imagem e quebrar tabus”, afirmou o jovem. Valéria, Romário, a professora Georgia e a co-orientadora Edla percorreram escolas, hospitais e meios de comunicação locais em um incansável processo de conscientização e palestras. Os resultados não demoraram a aparecer e, após a aplicação de um novo questionário, a equipe percebeu que muitos dos entrevistados já haviam mudado sua opinião sobre o tema, declarando-se doadores. Graças ao projeto, a Câmara Municipal também instituiu o Dia da Doação de Órgãos em Palmeira dos Índios, celebrado em 23 de setembro. “Ter um projeto selecionado para a Febrace nos trouxe muita alegria, mas o nosso maior orgulho é o saldo positivo que esta iniciativa trouxe para a população de Palmeira dos Índios. Uma ação que nasceu de alunos de nossa escola”, frisou o diretor-geral da Escola Humberto Mendes, André Galdino. Descarte sustentável – A Escola Estadual Muniz Falcão, de Cacimbinhas, leva à Febrace projeto sobre tratamento de resíduos de laticínios a partir de um reator eletroquímico à base de energia solar construídos pelas alunas Marcela Silva e Ana Paula Bezerra, sob a orientação do professor de Química Jenivaldo Lisboa. Em um município que tem na agropecuária o seu sustento, a iniciativa propõe uma alternativa sustentável para o tratamento de resíduos, de forma a evitar que os líquidos sejam descartados nos mananciais locais. “Quando as águas residuais são descartadas em mananciais, seus componentes consomem o oxigênio da água, o que provoca a mortandade dos peixes. Com o nosso equipamento, percebemos uma redução de 90% da turbidez da água residual, que fica quase transparente e com quantidade reduzida da carga orgânica nociva ao meio ambiente”, explicou o professor Jenivaldo Lisboa. Segundo o professor, trata-se de uma técnica de baixo custo para os laticínios de pequeno porte, que funciona à base de energia solar, algo abundante na região. Há três anos atuando na pesquisa, Marcela e Ana Paula destacam a evolução do projeto. “Em nossa primeira participação em uma feira científica, fomos selecionadas para a Febrace-USP. É incrível!”, comemorou Ana Paula. “Quando começamos, nunca imaginaríamos que chegaríamos tão longe e faríamos parte de uma pesquisa tão importante para a sociedade. Para nós é uma alegria imensa representar nossa escola e Alagoas na feira”, declarou Marcela. As diretoras Josefa Barros e Elânia Tenório dizem que a seleção do projeto para a mostra da USP ratifica a qualidade das pesquisas desenvolvidas pela unidade na área de Química. “A notícia de que iríamos para a Febrace nos trouxe muita alegria, mas não nos surpreendeu, pois sabemos da qualidade do trabalho desenvolvido pelo professor Jenivaldo”, falaram as gestoras.

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