24 de fevereiro de 2016

Audiência expõe necessidade de mais investimentos no combate à dengue e zika vírus

A Câmara Municipal de Maceió realizou, na manhã desta quarta-feira (24), audiência pública para discutir as formas de combate ao mosquito Aedes Aegypt, transmissor do vírus da dengue, zika e chikungunya. Conduzida pela vereadora Heloísa Helena (Rede), presidente da Comissão Permanente de Higiene, Saúde Pública e Bem Estar Social, a audiência contou com a presença de gestores da prefeitura, médicos, agentes de endemias e líderes comunitários. O infectologista Celso Tavares responsabiliza os governos, principalmente o governo federal, pela epidemia que o Brasil enfrenta atualmente. “Uma das maiores causas de morte por dengue são as filas nos hospitais públicos. É a demora do atendimento que coloca a vida das pessoas em risco”, disse o médico. Segundo ele, sem ações mais planejadas e constantes de combate ao mosquito, o número de notificações vai aumentar em março e abril. “Precisamos investir em equipes de agentes de endemias. Estes profissionais têm que ser melhor preparados. As ações como o dia D de nada adiantam. O combate aos focos de mosquitos deve ser feito todo dia. O controle do Aedes Aegypti tem que ser uma política de Estado e deixar de ser um programa de governo”, afirmou o infectologista Celso Tavares, responsabilizando também a população. “Em torno de 80% dos criadouros do mosquito está nas casas”. O diretor do Sindicato dos Agentes de Endemias de Alagoas, Severino Ramos, cobrou melhores condições de trabalho. Segundo ele, os profissionais vão para as ruas sem sequer um crachá de identificação. “Trabalhamos sem farda, as botas são velhas, faltam coletes", detalha ele, que cobrou ainda o pagamento de adicional de insalubridade para todos os agentes. “Tem agente que trabalha sem receber a insalubridade. Maceió precisa avançar no saneamento básico”. Também diretor do Sindicato dos Agentes de Endemias de Alagoas, Wellington Soares relatou os riscos que os agentes são submetidos durante o trabalho na periferia. “Quando é realizado o Dia D de combate, os agentes vão para as ruas com camisas da campanha e acompanhados de policiais militares, mas depois eles precisam continuar o trabalho nas favelas, correndo o risco de serem vítimas da violência”, relatou o sindicalista, contando ainda que muitas pessoas se recusam a deixar os agentes entrarem nas casas porque não possuem crachás. O secretário municipal adjunto de Saúde, Antônio de Pádua, criticou a falta de união entre os governos municipais, estaduais e federal para combater o mosquito. “Não há uma parceria continuada”, disse o secretário, reconhecendo a falta de estrutura dos municípios para dar assistência às crianças vítimas da microcefalia. Antônio de Pádua frisou que o maior índice de infestação do Aedes Aegypti está na área nobre de Maceió. “Alguma coisa precisa ser feita nessas regiões. A Ponta Verde e a Jatiúca são os maiores criadouros”, disse. Coordenador do curso de Medicina da Universidade Federal de Alagoas, o professor Francisco Passos explicou que uma das falhas que colaboram com o agravamento do problema é a formação fragmentada dos profissionais da Saúde. “Os profissionais da Saúde são ensinados a compreender o corpo por partes, desvinculado da sua atuação social. Estamos discutindo alternativas para diminuir este problema e avançar numa formação que considere também o corpo ativo socialmente”, disse ele, que defendeu os projetos da atual gestão da reitoria. “Acreditamos que a universidade será mais atuante neste combate”. A vereadora Heloísa Helena classificou como absurdo o baixo número de casos investigados de microcefalia no país. “De 4 mil casos confirmados, apenas 67 foram investigados. Isso é um absurdo”. A parlamentar defende o projeto de se criar o tempo máximo de tramitação de processos relacionados a saúde pública, entre eles, os que vão promover melhorias nas condições de trabalho dos agentes de endemias. Heloísa criticou ainda os cortes no orçamento do governo federal que afetaram o Ministério da Saúde. Membro da Comissão de Higiene, Saúde Pública e Bem Estar Social da Câmara, o vereador Luiz Carlos Santana (DEM) também participou da audiência pública. Ele lamentou a falta de mais profissionais da Saúde no debate e ressaltou que o Poder Legislativo da capital dará continuidade este ano às audiências com objetivo de debater melhorias na prevenção e tratamento de doenças. “Realizamos no ano passado 16 audiências públicas da Saúde. Temos um vasto calendário este ano e esperamos que mais gente participe”, afirmou.

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